
História
O Museu de Imagens do Inconsciente teve origem nos ateliês de pintura e de modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional, organizada por Nise da Silveira em 1946, no Centro Psiquiátrico Pedro II. Aconteceu que a produção desses ateliês foi tão abundante e revelou-se de tão grande interesse científico e utilidade no tratamento psiquiátrico que pintura e modelagem assumiram posição peculiar.
Daí nasceu a idéia de organizar-se um Museu que reunisse as obras criadas nesses setores de atividade, a fim de oferecer ao pesquisador condições para o estudo de imagens e símbolos e para o acompanhamento da evolução de casos clínicos através da produção plástica espontânea. Em 20 de maio de 1952 foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente, numa pequena sala. Em 28 de setembro de 1956 passou a ocupar mais amplas instalações inauguradas com a presença dos ilustres psiquiatras Henry Ey, Paris; Lopez Íbor, Madrid; e Ramom Sarró (Barcelona) que se encontravam no Rio a convite da Universidade do Brasil. Já naquela data, segundo o professor Lopez Íbor, o Museu de Imagens do Inconsciente “reunia uma coleção artística psicopatológica única no mundo”.
O Museu não cessou de crescer. Diretamente vinculado aos ateliês de pintura e de modelagem, recebe cada dia novos documentos plásticos. Seu acervo reúne atualmente cerca de 300 mil documentos entre telas, pinturas, desenhos e modelagens.
O Museu é um centro vivo de estudo e pesquisa sobre as imagens do inconsciente, aberto aos estudiosos de todas as escolas psiquiátricas.
No dia 7 de junho de 1978 Ronald Laing deixou escrito que o trabalho aqui realizado “representa uma contribuição de grande importância para o estudo científico do processo psicótico”.
Grupo de Estudos
Desde julho de 1968 funciona como atividade do Museu um Grupo de Estudos que tem por principal objetivo o acompanhamento do processo psicótico através de imagens apresentadas em exposições. Este Grupo tem caráter marcadamente interdisciplinar, o que permite troca constante entre experiência clínica, conhecimentos teóricos de psicologia e psiquiatria, antropologia cultural, história, arte e educação.
O Grupo reúne-se com regularidade às terças-feiras, as 10:30 da manhã e está aberto a todos os interessados.
Exposições/Cursos
O Museu organiza exposições internas e externas, promove cursos e oferece aos interessados campo para pesquisa.
Método
O método de trabalho no Museu de Imagens do Inconsciente consiste principalmente no estudo de séries de imagens. Isoladas, parecem sempre indecifráveis. Com surpresa verificar-se-á então que nos permitem acompanhar o desdobramento de processos intrapsíquicos. Assim, são organizadas séries de imagens de um mesmo doente, o que permite ao terapeuta melhor compreender a situação psíquica do autor das imagens. Outras seleções reúnem temas de incidência freqüente em diversos casos clínicos, como mandalas, rituais, metamorfoses, animais fantásticos, etc.
O trabalho no ateliê revela que a pintura não só proporciona esclarecimentos para compreensão do processo psicótico mas constitui igualmente verdadeiro agente terapêutico. As imagens do inconsciente objetivadas na pintura tornam-se passíveis de uma certa forma de trato, ainda que não haja nítida tomada de consciência de suas significações profundas. Retendo sobre cartolinas fragmentos do drama que está vivenciando desordenamdamente, o indivíduo dá forma a suas emoções, despotencializa figuras ameaçadoras.
A pintura permite detectar, mesmo nos casos mais graves, movimentos instintivos das forças autocurativas da psique buscando diferentes caminhos. A experiência demonstra que a pintura pode ser utilizada pelo doente como um verdadeiro instrumento para reorganizar a ordem interna.
Conclusão
O Museu de Imagens do Inconsciente, nas palavras de Mário Pedrosa, “é mais do que um Museu, pois se prolonga de interior a dentro até dar num ateliê onde artistas em potencial trabalham, fazem coisas, criam, vivem e convivem.
Com efeito, se foi reunindo ao acaso todo um grupo de enfermos - esquizofrênicos tirados do pátio do hospício para a seção de terapêutica ocupacional, desta para o ateliê, do ateliê para o convívio, onde passou a gerar-se o afeto e o afeto a estimular a criatividade”.
Mostrando em incontáveis documentos as vivências sofridas pelos esquizofrênicos, bem como as riquezas do seu mundo interior invisíveis para aqueles que se detêm apenas na miséria de seu aspecto externo, o trabalho realizado no Museu de Imagens do Inconsciente aponta para a necessidade de uma reformulação da atitude face a esses doentes e para uma radical mudança nos tristes lugares que são os hospitais psiquiátricos.
Algumas opiniões sobre o Museu
“Estou profundamente impressionado com as obras de arte que aqui vi. Aumentam o acervo artístico do Brasil e o mundo precisa conhecer estes desenhos e pinturas. Admiro as pessoas que ajudaram os doentes a libertarem-se por esta forma. O Brasil deveria proteger estas obras. Pertencem à maior herança espiritual deste nação”
Herbert Pée - Diretor do Museu de Arte de Ulm
Chefe da Delegação Alemã na XI Bienal de São Paulo
“Confio na continuidade e expansão deste trabalho. Trata-se de uma coleção que já tem fama internacional. Espero que as autoridades locais reconheçam seu alto valor e façam o possível para facilitar seu futuro desenvolvimento, pois representa uma contribuição de grande importância para o estudo científico do processo psicótico”
Ronald Laing
“Uma coleção de arte psicopatológica única no mundo”
J.J. López Ibor - Professor Catedrático da Universidade de Madri
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